sábado, 25 de junho de 2011

Não tem nome caralho

E a noite se deita em seus ombros, acompanhando a serenidade de teus olhos. Me afaga tuas doces palavras, cobertas de longos suspiros intensos, tão suaves que a noite no leito de sua pele adormece feito criança cansada da brincadeira ao sol.
Ao decorrer de suas indagações sobre o que sentia e o que sentir, o coral de grilos a acompanha num arranjo sem compasso, tão alucinante quanto sua dança ao som de Frank Zappa. E de testemunho eterno, a mãe lua, em sua fase crescente, nos dando a honra de seu sorriso amarelado de café e nos aceitando, como se de presente nos desse o mundo como lembrança, daí em diante, a grande roda viva se fazia minúscula, ou eu me engrandecia.
E ela, tão linda as sombras da noite, se resguardava num ápice de timidez, e em silêncio continuou me olhando com seus grandes olhos negros e vivos, tão brilhantes que a lua temia a tal força do brilho, e por minha parte não foi diferente, guardei minhas palavras pois nenhum ditongo conseguiria descrever o que se passava em minha cabeça. Foi simples, sem segredo, apenas um abraço querendo protegê-la do frio e do orvalho, não ousei desfazer aquilo.
A grama já não tinha mais seu verde vivo e natural, a lua já não sorria mais, o sol ofuscava nossos olhos, enquanto o silêncio, parecendo combinado dos grilos dava espaço ao barulho dos automóveis passando freneticamente na estrada a fora. Eu, no lamento juvenil não tive escolha, rasurei tudo, em alguns instantes o que foi construído durante anos. E a lágrima da menina moça já não escorria de euforia, se demorou no chão, sentada olhando a minha ida ao nada.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

"..."

Sabe lá de onde vem. Mas vem. Se ausentando ou aparecendo, resquícios de mágoas que em seu nome guardaste na mais cobiçada gaveta. Protegida por leões que lamentam sua existência. Sua dor não suporta mais sua insana felicidade, mas seu peito, escorrendo em ódio, visa constantemente a hora do silêncio.
Calado se contenta com a hostil criatura que lhe escraviza, não passas fome, não terás uma morte causada por uma epidemia, e nem no fruto mais belo, que é arrancado da forma mais bruta das leis naturais mantendo assim a continuidade, achas que tem, e tens por direito a constante existência e todas suas necessidades supridas.
A vontade não lhe assegura uma cobiça praticada. Por ordens e ordens, tens que ter, sem discussão, vossos murmúrios não afeta o gigante estrelado de democracia, assim como suas cabeças não rolam acidentalmente no chão.
E todo dia, surgi no nada, ladainhas de persuasão. Claro que é na batalha que se chega ao sol, dessa forma foi criado todo o senso da nova ordem, mas a dificuldade não está no que fazes ou no que és. E sim no que tens.